Sobre mineração, sustentabilidade e alquimia: algumas reflexões sobre os paradoxos da mineração sustentável
Palavras-chave:
desenvolvimento sustentável, mineração, responsabilidade socialResumo
A noção de desenvolvimento sustentável (DS), longe de ser unívoca e ter um significado consensual, alude a campos conceituais e políticos diversos que recobrem representações múltiplas, as quais variam segundo os atores, as estratégias e as perspectivas em jogo. No início dos anos 2000, um conjunto de empresas transnacionais, que atua no setor de mineração, incorpora – sem aparente paradoxo – o desenvolvimento sustentável como um “marco de referência útil para guiar o setor mineral”. Argumentamos, neste artigo, que a paradoxal junção da mineração em grande escala com o DS é possível graças a um deslocamento discursivo e simbólico, que chamaremos de alquimia narrativa, dos princípios ecológicos contidos na noção de DS, de forma a apagar a responsabilidade das empresas perante a insustentabilidade inerente à atividade extrativa mineral. Tal afirmação baseia-se na análise de “iniciativas” sociais e ambientais publicizadas nas páginas institucionais na internet por algumas das principais empresas de mineração atuantes no estado do Rio de Janeiro.